Meu filho não come! Cuidados com a Neofobia alimentar
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Meu filho não come! Cuidados com a Neofobia alimentar

A  neofobia alimentar é caracterizada pelo ato de recusar ou ingerir pequenas quantidades de um alimento novo, é mais comum em crianças com idade entre 1 e 7 anos.
Muitas vezes, as crianças rejeitam os alimentos sem nem mesmo prová-los. O que os pais precisam saber é que isso não quer dizer que a criança sempre vai recusá-los. Eles poderão ser aceitos em uma outra ocasião, desde que sejam oferecidos novamente.
Estudos sobre  a neofobia alimentar mostram que a rejeição precoce pode ser alterada com a experiência, indicando que muitos dos alimentos que as crianças rejeitam inicialmente poderão acabar sendo aceitos se a criança tiver ampla oportunidade de provar o alimento em preparações diversas. Geralmente isso ocorre após 10 a 15 apresentações do mesmo alimento, e em condições favoráveis.

 

O que “não” fazer quando meu filho não come?

Os hábitos alimentares das crianças são formados desde pequenos e os pais e a escola são os principais colaboradores para sua formação. Os filhos tendem a optar por alimentos normalmente consumidos pelos pais e irmãos mais velhos. É preciso ressaltar que não se deve usar estratégias do tipo: “Come toda a comida que ganha sobremesa” ou “se não comer tudo, vai ficar de castigo”. Estes artifícios não vão fazer com que a criança coma o alimento porque gosta e sim porque vai ter algum benefício ou vai ser castigada se não comer. Estratégias como estas são causadoras das fobias alimentares desenvolvidas por crianças e que podem persistir durante toda a vida.

O que fazer quando meu filho não come?

Portanto, opte por alimentos nutritivos na mesa da família. Varie o cardápio. Tire sempre um tempo para envolver o seu filho no preparo do alimento. A criança poderá experimentar alimentos novos sem traumas se ela ajudar a prepará-los.
A adequada introdução dos novos alimentos nos primeiros anos de vida, com uma correta socialização alimentar, bem como a disponibilidade de variados alimentos saudáveis em ambiente familiar agradável, permite à criança iniciar a aquisição das preferências alimentares responsáveis pelo hábito alimentar saudável.

É importante sempre relembrar:

  1. Não force a criança a comer, mas não deixe de insistir e criar estratégias para despertar o interesse pelo alimento;
  2. Agir com naturalidade nos momentos em que houver a recusa, é sempre a melhor opção;
  3. Fique atenta ao crescimento e ao ganho de peso do seu filho (a);
  4. Evite comentar com outras pessoas, perto da criança, sobre a rejeição na alimentação, pois ela pode associar que está chamando a atenção de todos com esse comportamento;
  5. Não recompense de nenhuma maneira, mas principalmente com doces e guloseimas, pois isso pode trazer graves consequências;
  6. Leve a criança para fazer compras com vocês. Estimule-a a pegar, cheirar e escolher alimentos novos para provar;
  7. Se aventure na cozinha, peça ajuda da criança para preparar o alimento. Ela pode misturar a salada, colocar os ingredientes no liquidificador. Depois ficará curiosa para experimentar o resultado final;
  8. Brinque com a criança – “Vou te dar cinco colheradas, algumas com e outras sem ervilha quero ver se você acerta qual está com ervilha! ”Quando a alimentação torna-se divertida, fica mais fácil introduzir coisas novas.

A maturidade do paladar não acontece da noite para o dia. Portanto não se pode desistir de oferecer o alimento à criança nas primeiras recusas. Insista, mude a apresentação do alimento se for o caso.
Muitas vezes a preocupação dos pais, quando seu filho não aceita os alimentos é muito grande, e essa ansiedade pode prejudicar ainda mais a aceitação da criança.

Apesar de qualquer desafio que possamos encontrar com nossos filhos, devemos sempre encarar essas difíceis fases alimentares com muita paciência, criatividade e persistência, nunca forçando, ameaçando ou associando a recusa a eventos negativos. A criança precisa conquistar a confiança do que se come de forma natural e não por estímulos negativos. Por isso, devemos sempre estimulá-las a comer uma grande variedade de alimentos com diferentes gostos, cores, consistências, texturas e temperaturas.

Danila Graciano
Nutricionista da Escola Tarsila do Amaral
CRN: 19809

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